Alimentação: o que priorizar na síndrome pós-covid?

Alimentação: o que priorizar na síndrome pós-covid?
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Alimentação: o que priorizar na síndrome pós-covid? Primeiramente, quando falamos em síndrome pós-covid, há um conjunto de alterações bioquímicas, fisiológicas e imunológicas acontecendo. A inflamação aumentada pela persistência da proteína Spike no organismo (mais especificamente na parede dos vasos sanguíneos), pode levar a algumas situações metabólicas, tais como: disfunção endotelial, mobilização de gorduras, resistência insulínica, hiperglicemia e aumento do estresse oxidativo.
Por conta desse quadro, a adoção de um padrão alimentar anti-inflamatório é essencial. A escolha da quantidade e qualidade dos macronutrientes (proteína, carboidratos e lipídeos) pode fazer muita diferença na resposta ao tratamento. Aumentar a oferta de micronutrientes e compostos bioativos anti-inflamatórios também é fundamental para controle dessas alterações metabólicas.
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O que seria então preconizado?

Uma preciosa análise sobre a alimentação: e o que priorizar na síndrome pós-covid

1) Carboidratos: seu excesso, principalmente de alto índice glicêmico, relaciona-se à piora da inflamação (por mecanismos epigenéticos), aumentando quantitativamente os radicais livres e citocinas inflamatórias. Deve-se então, evitar carboidratos processados e refinados (ex: biscoitos, macarrão, pães) e priorizar os carboidratos de fonte natural, como leguminosas, tubérculos combinados com saladas cruas, frutas combinadas com oleaginosas ou sementes, pois essas estratégias aumentam as fibras e boas gorduras auxiliando tanto no aporte nutricional quanto no controle da carga glicêmica da preparação.

2) Proteínas: são essenciais no pós-covid, visto que os indivíduos, em sua maioria, apresentam sarcopenia (diminuição da massa muscular) pela disfunção imunológica, estresse metabólico, fadiga, diminuição da função mitocondrial, entre outros. Boas fontes proteicas são: carnes em geral (nesse momento, priorizar as carnes brancas, pois a carne vermelha, quando o intestino não está íntegro — o que é comum nesse momento, pode gerar mais inflamação), ovos, whey protein hidrolisado e isolado, aminoácidos e creatina.
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3) Gorduras: as gorduras trans (encontrada em grande parte dos alimentos industrializados) são as mais associadas à inflamação. Já as gorduras saturadas (presentes nas gorduras animais) devem ser evitadas em excesso. Gorduras poli-insaturadas (principalmente EPA e DHA dos óleos de peixe) e monoinsaturadas (presentes no azeite de oliva, oleaginosas, abacate, sementes), são tipos de gorduras que auxiliam na diminuição do processo inflamatório.

4) Micronutrientes: vitaminas e minerais são essenciais e estão presentes em uma alimentação que tenha como base alimentos mais naturais. Os industrializados, em sua maioria, nos fornecem calorias vazias, ou seja, com baixíssimas quantidades de vitaminas e minerais. Tais alimentos, ainda têm como fator negativo, conter ingredientes como conservantes, que pioram o processo inflamatório. A escolha por alimentos orgânicos (sem agrotóxicos), é ainda mais positiva, pois o nível de compostos bioativos é maior nesses alimentos quando comparados aos convencionais.
Alguns micronutrientes e compostos bioativos específicos podem auxiliar muito. Eles devem estar contemplados na dieta e/ou na forma de suplementação, sendo prescritos por médico e/ou nutricionista. Vitamina A, complexo B, vitamina C, vitamina D, vitamina E, vitamina K₂, zinco, selênio, magnésio, coenzima Q10, ácido R-alfa lipoico, resveratrol, quercetina, curcumina, luteolina são exemplos interessantes para esse momento, porém, a prescrição deve ser sempre individualizada, com base nos sinais, sintomas e exames laboratoriais.

Algumas estratégias nutricionais como jejum intermitente, dieta cetogênica e dieta anti-histamínica podem ser muito benéficas para alguns pacientes. Porém, há necessidade de avaliação e condução, principalmente pelo nutricionista.

Daniela Maria de Paula Ramalho — CRN-4 07100929

Monitora da segunda turma da Formação em Pós-Covid — Dr. Guili Pech
Integrante da 1.ª Turma de Formação em Pós Covid — Dr. Guili Pech
Mentorada da 1.ª Turma de Mentoria — Dr. Guili Pech

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